Demanda por voos tem alta de 42%

(Agência Estado) Um sinal forte de que a crise está ficando mesmo para trás vem do setor aéreo. Os dados divulgados ontem pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostraram que, em outubro, a demanda por voos domésticos cresceu 42% comparada ao mesmo mês de 2008.

No ano, a alta acumulada é de 13%. Os números de setembro já haviam sido bons, com um crescimento de quase 30%, e a tendência é de que os próximos meses apresentem também excelentes resultados.

"Novembro e dezembro devem registrar altas acima de 30%. Sobretudo no caso de dezembro, que tem uma base de comparação muito baixa, pode chegar a 45%", diz Paulo Bittencourt Sampaio, diretor da Multiplan Consultores Aeronáuticos.

Não apenas o comparativo com meses ruins em 2008 explica o bom dado de agora. No Brasil, cerca de 70% dos passageiros voam a negócios. Assim, diante da crise e da necessidade de cortar custos, a aviação foi um dos primeiros setores a sofrer. Porém, com a retomada dos negócios, é também um dos primeiros a se revigorar.

Além disso, TAM e Gol/Varig, que hoje controlam 86,28% dos voos domésticos (com, respectivamente, participação de 44,58% e 41,70%), além de WebJet (4,47%), OceanAir (2,28%) e a novata Azul (4,44%) vêm travando uma acirrada guerra de tarifas, que está fazendo com que os preços das passagens caiam. O brigadeiro Allemander Pereira, consultor do setor, chama a atenção para outros aspectos: "O fator câmbio ajuda diretamente, mesmo nos voos domésticos, pois boa parte dos custos é dolarizada. O preço do querosene caiu", disse. "Além disso, há o aumento da renda, que faz com que a busca por viagens a turismo volte a crescer."

INTERNACIONAL

Apesar de os dados serem de crescimento nos voos domésticos, no que diz respeito à participação nas rotas internacionais, porém, as companhias brasileiras não vão muito bem. Ainda que se tenha registrado alta de 11% no número de passageiros transportados para o exterior em outubro, no acumulado de 2009 a queda é de 3%. O baque nos últimos anos foi tão grande que, atualmente, as empresas nacionais transportam o mesmo volume de passageiros que no início da década de 90.

Depois da quebra da Varig, nenhuma aérea conseguiu ocupar totalmente as rotas. E a Gol/Varig, que chegou a investir no mercado internacional, desistiu de alguns destinos, como Lima, além de reduzir a oferta para outros, como foi o caso de Bogotá. A gripe suína também entrou na conta, fazendo com que, no inverno, a companhia aérea desviasse voos de destinos concorridos, como Buenos Aires e Santiago, para rotas nacionais.

O resultado foi que, neste ano, a empresa transportou praticamente metade dos passageiros de 2008. A OceanAir, que tinha intenções de internacionalização, também recuou: desistiu da rota para o México e dos planos para chegar à África. Nesse contexto, a TAM vem crescendo e ocupando boa parte do mercado. Hoje, sozinha, controla 86% da participação das empresas nacionais em voos internacionais.

"A TAM deve continuar bem no próximo ano, mas, olhando para o aumento previsto da frota, não acredito que a participação das empresas brasileiras vá subir", diz Paulo Sampaio. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Fonte: